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Noesis: “Vamos ter IA contra nós e IA a lutar contra IA” (com vídeo)

Noesis, Banco Santander e Lusíadas Saúde debateram, na IT Security Conference, as escolhas que colocam à prova a continuidade dos serviços, desde os acessos privilegiados até à utilização da IA

04/11/2026

Noesis: “Vamos ter IA contra nós e IA a lutar contra IA” (com vídeo)
Luís Ribeiro / MediaNext

No fireside chat da IT Security Conference, José Gomes, IT Operations, Cloud and Security Associate Director da Noesis, colocou em discussão as medidas que “aparentemente funcionam no papel”, mas que depois se revelam “difíceis de implementar” nas organizações. O debate com os CISO da Lusíadas Saúde e do Banco Santander abordou os desafios de conciliar proteção, continuidade operacional e Inteligência Artificial (IA).

Josué Delgado, CISO da Lusíadas Saúde, lembrou que uma interrupção dos sistemas clínicos põe em causa “a segurança do doente, a segurança no cuidado e no dia a dia”. Uma autenticação multifator (MFA) mais exigente pode proteger o acesso, mas também impedir um médico de entrar num sistema se o código necessário não estiver disponível. É nesse momento que considera que surge o “balanço do risco cyber versus o risco assistencial”.

Quando proteger também dificulta a operação

Já no setor financeiro, Carlos Silva, CISO do Banco Santander, identificou um dilema semelhante na gestão de acessos privilegiados. Restringir o que uma identidade pode fazer é “uma decisão técnica óbvia”, mas a integração com sistemas antigos e a alteração dos procedimentos tornam a aplicação mais complexa.

Para mostrar as consequências, descreveu uma situação de crise “às três da manhã de um domingo para segunda”, em que a própria ferramenta de gestão de acessos privilegiados está indisponível. Sem acesso às credenciais de emergência ou sem saber quem contactar, a recuperação dos sistemas pode ficar comprometida.

José Gomes ligou estes exemplos às mudanças organizacionais exigidas pelas decisões técnicas e observou que a gestão de identidades “envolve normalmente alterações organizacionais e um alinhamento grande e forte entre todos”.

O risco também vem de fora

A continuidade da operação depende ainda de sistemas que as empresas não controlam diretamente. Carlos Silva apontou serviços de cloud, aplicações SaaS e identidades privilegiadas externas como possíveis origens de falhas com consequências em cadeia. A sua preocupação é a capacidade de resposta a um problema que começa num prestador e provoca “o tal efeito borboleta” nas organizações que dele dependem.

Para o CISO do Banco Santander, embora o ransomware continue a preocupar o setor, “esta dependência do ecossistema digital e esta dependência de outras organizações é o multiplicador desse impacto”.

A IA alarga as decisões de segurança

Ao introduzir a inteligência artificial na discussão, José Gomes deu conta de um momento em que existe “uma forte pressão do negócio” para a utilizar. Josué Delgado destacou que o desafio não se limita ao uso da IA por atacantes ou pelas equipas de defesa.

A tecnologia entra também na faturação, nos recursos humanos e na contratação, o que obriga a perceber “com que dados” trabalha, onde ficam guardados e quem os gere. O objetivo é assegurar “um modelo de governo” que permita às empresas acelerar “com segurança”.

Carlos Silva descreveu a IA como “um catalisador de inovação e um catalisador de produtividade”, mas colocou a identidade no centro dos novos riscos. Importa saber quem cria agentes, quais os acessos autorizados e quem assume a responsabilidade quando provocam um incidente. Tal como nas ações humanas, os registos das operações dos agentes devem permitir identificar o que fizeram e não poder ser alterados.

“Vamos ter IA contra nós e vamos ter IA a lutar contra IA”, antecipou o responsável, para quem o controlo e a monitorização dos acessos continuam essenciais, mesmo quando outras proteções falham. Como explicou, “a porta vai estar aberta ou uma janela, mas eu tenho que ter uma câmara ligada e tenho que ter alguém que olhe para a câmara”.


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