Opinion

Para lá da checklist: Porque é que a Segurança Ofensiva Contínua é o futuro

Com 19% do tempo semanal dos developers agora dedicado a tarefas de segurança, e algumas equipas de TI a gastar até um terço do seu tempo a perseguir vulnerabilidades, não é de admirar que a segurança comece a parecer um jogo interminável de “apanha-me se puderes”

Por Jacobo Ros, VP Global de Technical Assurance Services na NCC Group . 22/12/2025

Para lá da checklist: Porque é que a Segurança Ofensiva Contínua é o futuro

O custo é elevado, tanto em termos financeiros como operacionais, e a pressão sobre as equipas não para de crescer. À medida que a tecnologia evolui e a automação impulsionada pela Inteligência Artificial (IA) acelera o ritmo de lançamentos de software, a janela de tempo para identificar e corrigir vulnerabilidades está a encolher. Este ritmo frenético torna o desafio constante e cada vez mais urgente.

Nunca é demais repetir que a segurança não é uma checkbox, é um compromisso. E para os CISO (Chief Information Security Officers) que enfrentam um cenário de ameaças em rápida mutação, onde cada atraso aumenta a dívida técnica e o risco de burnout, "passar no teste" é insuficiente.

Sim, passar num teste de penetração pode parecer uma vitória. Mas, sejamos honestos, cumprir os requisitos de conformidade não significa que se está seguro, significa que já se esteve seguro.

A verdadeira segurança não é estática. Não é um exercício anual nem um relatório trimestral. É uma prática viva, em constante evolução, que exige atenção contínua, adaptação e resposta proativa. É aqui que entra a Segurança Ofensiva Contínua.

O problema dos testes pontuais

Os testes de penetração tradicionais continuam a ter o seu lugar, mas, por si só, não bastam. Estas avaliações oferecem geralmente uma visão limitada, com uma pequena janela de oportunidade para a ação. 

Entretanto, os atacantes estão a sondar os sistemas 24 horas por dia, sete dias por semana, à procura daquela API mal configurada, daquele endpoint negligenciado ou daquela vulnerabilidade por corrigir que lhes dê uma entrada.

Quando o relatório do teste chega às mãos da organização, o ambiente já mudou e a ameaça já evoluiu. O que resta à organização é reagir, em vez de prevenir.

Segurança como cultura, não apenas como ferramenta

Na sua essência, a segurança não diz só respeito às ferramentas em que se investe. Diz respeito à mentalidade e à cultura que se constrói dentro da organização.

As organizações que prosperam neste cenário de ameaças são aquelas que fomentam uma cultura de preparação (visibilidade consistente sobre vulnerabilidades e exposições), de aprendizagem colaborativa (ciclos de feedback contínuo que transformam descobertas em correções ao mesmo ritmo do desenvolvimento) e de responsabilização (responsabilidade partilhada entre equipas, e não apenas atribuída à função de segurança).

Esta transformação cultural muda a segurança de uma função reativa para uma força proativa, totalmente integrada no modo como o negócio opera, inova e cresce.

Como pôr em prática a Segurança Ofensiva Contínua

A Segurança Ofensiva Contínua traduz uma mentalidade de melhoria contínua, orientada por insights reais sobre os atacantes, profundamente integrada com a forma como o negócio opera e evolui.

Na prática, esta abordagem permite às equipas de segurança:

  • Realizar segurança ofensiva em tempo real - Combinar automação com expertise humana para detetar riscos à medida que as aplicações evoluem.
  • Ir além dos relatórios pontuais - Ter acesso a reporting contínuo e contextual, que destaca os riscos assim que surgem, e não semanas ou meses depois.
  • Integrar segurança no desenvolvimento - Antecipar os testes, alinhando-os com o ciclo de desenvolvimento de software, para que os resultados alimentem diretamente os fluxos de trabalho das equipas de desenvolvimento.
  • Adaptar-se ao ambiente - Ajustar a abordagem às necessidades específicas, seja através de testes de penetração contínuos, gestão da superfície de ataque ou integração com ferramentas e processos existentes.

Em vez de acrescentar ruído ou mais ferramentas para gerir, este modelo reforça aquilo que a equipa já está a fazer. Traz conhecimento ofensivo, contexto sobre ameaças e ciclos de feedback em tempo real para dentro do ambiente.

Não se trata apenas de encontrar vulnerabilidades mais depressa. Trata-se de ajudar as equipas a construir resiliência, acelerar a correção e manter-se alinhadas com as prioridades do negócio.

Com um modelo de entrega consistente e previsível, fica mais fácil planear, orçamentar e crescer de forma segura, sem aumentar o peso operacional.

A estratégia de segurança deve ser uma prática viva e dinâmica, capaz de se adaptar às mudanças constantes do cenário de ameaças. A Segurança Ofensiva Contínua pode fornecer a visibilidade, a agilidade e a confiança de que a organização precisa para acompanhar o ritmo do negócio.

A verdadeira segurança não é uma checklist. É uma cultura. É um compromisso.


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